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Sessão Literária

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Sessão literária traz semanalmente uma resenha. Continuamos resumindo cada capítulo da Condição Humana de Hannah Arendt. 5 – A Polis e a Família A vitória das necessidades, na família, era condição para liberdade, na polis. A distinção entre as esferas privada e pública, que é a base do pensamento político, é a mesma entre a vida doméstica - de sobrevivência - e a vida política - pertinente ao mundo comum. A ascensão da esfera social, porém, trouxe dificuldades de compreensão de uma e outra, tanto que o pensamento científico relativo à sociedade já não é a ciência política, mas a economia - a ciência da necessidade. A violência era entendida como ato pré-político de libertar-se da necessidade da vida para conquistar a liberdade no mundo. Em vez disso, no pensamento moderno, ela é vista como fenômeno político para garantir a sociedade.

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A Condição Humana 4 – O Homem: Animal Social ou Político A concepção original grega de política foi esquecida, trocada pela noção de sociedade. Pela evidência da condição que é viver junto com os outros, os latinos traduziram o zoon politikon como animal socialis, interpretando equivocadamente aquilo que era uma modalidade especial de vida voltado ao discurso em detrimento de uma vida em que os homens por necessidade precisam viver junto de outros. A casa é um exemplo deste modo de viver, onde o chefe da família possui domínio despótico sobre os outros. Ao contrário, a polis era o espaço que considerava todos iguais.

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Condição Humana 3 – Eternidade versus Imortalidade Quando julgaram que o modo de vida mais livre, o político, não propiciava necessariamente as atividades superiores do homem, os filósofos presumiram ter descoberto um novo princípio: a teoria: a experiência do eterno, a partir da quietude e da contemplação. A eternidade só pode ocorrer fora do mundo, longe dos assuntos humanos. Ao contrário, a imortalidade significa continuar existindo neste mundo, como uma vida sem morte. Inspirados por sua religião, os antigos gregos aspiravam à imortalidade, da mesma maneira que os medievais aspiravam à eternidade. Mesmo com a inversão da hierarquia entre ação e contemplação, os homens modernos não mais aspiram à imortalidade, que fora a original fonte da vita activa .

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Condição Humana 2 – A expressão Vita Activa Vita activa expressa o pensamento político, iniciando após o julgamento de Sócrates com a obra do Platão e encerrando na era moderna com a obra de Karl Marx. A subalternidade da vita activa em relação à vita contemplativa constitui característica tradicionalmente aceita pela filosofia política. Mesmo em Aristóteles, que diferentemente dos filósofos medievais não considerava a política uma atividade qualquer, a contemplação era a preocupação subjacente à vita activa . Por outro lado, a inversão nessa ordem hierárquica promovida pela filosofia moderna continuou buscando o princípio ordeiro. Em Hannah Arendt, a expressão vita activa não carrega esse preconceito, não se propõe nem inferior nem superior a outras preocupações humanas.

Sessão Literária

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A partir de hoje inicio a Sessão Literária : a cada semana postarei o resumo de um capítulo. Serão abordados livros de relevância filosófica com intuito de inspirar nossa reflexão. Começo com um clássico da filosofia política contemporânea. A Condição Humana de Hannah Arendt. 1 – A Vita Activa e a Condição Humana Condição humana não significa natureza humana, mas a condição para determinadas atividades humanas. Dentre estas, a condição humana para a vita activa é a vida, a mundanidade e a pluralidade. Vita Activa , em contraposição à vita contemplativa , corresponde ao labor, ao trabalho e à ação. Labor é o processo biológico do corpo humano, sendo a condição a própria vida – natalidade e mortalidade. Trabalho produz um mundo artificial, não mais natural, de coisas que permanecem objetivamente na vida comum a todos, sendo sua condição a mundanidade. A ação se exerce sem mediação das coisas, somente entre os homens (sempre no plural) através de seus feitos e suas palavras, e, por...

Nosso fado mortal e Hannah Arendt

Nos últimos dias tenho e refletido muito sobre a morte. Fui levado a minha autora favorita, Johannah Arendt, na busca por algumas respostas. É de ressaltar o emaranhado conceitual em que ela relaciona morte com a pólis grega. Quais as origens do conceito de “morte”, segundo Hannah Arendt? Por que, sendo a morte uma condição humana, o ser humano é motivado a exercer sua liberdade? Qual a relação entre a morte e o trabalho, na época moderna da civilização ocidental? Essas são algumas das questões que, inevitavelmente, serão respondidas ao discorrer sobre o conceito de “morte”. Questões estas que tocam a reflexão que Nietzsche elaborou em O Nascimento da Tragédia . Haja vista que os antigos gregos habitavam um mundo, e este mundo, em que tudo era simplesmente imortal, com a exceção deles próprios, que eram humanos. A mitologia grega é recheada de tentativas de superação dessa condição humana. Todas as possibilidades, no entanto, dependiam da própria cultura humana. Assim foi que Aqui...